Guitar x Guitar | 27.11.2009

Gui Montanari X Paulinho de Jesus

Nosso guitarrista entrevista o guitarrista e arranjador da Canção Nova


Gui Montanari X Paulinho de Jesus
Ferramentas

Por Guilherme Montanari | do SacraMusic

Hoje tenho a honra de entrevistar simplesmente um dos maiores e mais influentes guitarristas da música católica do Brasil, estou com nada mais e nada menos que o também arranjador Paulinho de Jesus.

Raio- X
Nome Completo: Paulo Sergio Balbino de Jesus
Nome Artístico: Paulinho de Jesus
Nascimento: o8/ 01/1971 em Londrina – PR
Idade: 38 anos
Experiência musicais anteriores: Músico da noite.
Atividades musicais atuais: Tecnólogo em Produção fonográfica na Canção Nova.

Quais são suas influências, como se apaixonou pela guita e como foi o caminho até a primeira banda?
Primeiramente é uma alegria poder partilhar com a galera um pouco da minha história. Segundo, bondade sua dizer que sou uma influência, diante de tantos músicos católicos bons que temos e que vem se lançando nos dias de hoje. Quanto às minhas influencias, confesso que comecei a estudar tarde, mas vêm principalmente da musica mineira, pois quando cantava na noite eu sempre fui apaixonado por Lô Borges, Beto Guedes, Flavio Venturini, Toninho Horta, Milton Nascimento, etc.

Comecei a tocar violão muito cedo na igreja na vila onde eu morava em londrina, levado a tocar por causa de minhas tias que tocavam na igreja também, sempre me via grudado nelas enquanto a missa rolava, até que um dia minha tia Anésia hoje uma Irmã da caridade, me ensinou os primeiros acordes, eu tinha cinco anos nessa época. Depois ela foi pro convento e tive que me virar sozinho.

Aos onze anos fui largando a igreja aos poucos por causa do futebol “que sou apaixonado até hoje” treinei na escolinha do Londrina, e em alguns clubes do Paraná, até que aos quinze anos larguei tudo e fui trabalhar na loja de uma tia minha (risos - oooo dureza). Eu tinha meus amigos mais velhos da rua de casa que sempre me chamavam pra ir tocar um violão quando tinha uma dessas festinhas e foi numa dessas festinhas que conheci o Afonso que era baterista e me convidou pra tocar em sua banda “MUSICAL SOM LIVRE” (eita nóis). E foi daí que tudo começou...

E foi só abrindo caminho pra conhecer coisas novas... Uma influência puxa a outra...
Isso mesmo, mas ainda nessa banda tive contato com outros instrumentos nos quais fui me identificando e criando gosto, a bateria por exemplo ao qual deixei de lado a guitarra durante alguns anos para tocar em duplas sertanejas da cidade e em barzinhos onde comecei a conhecer as tais musica que havia falado..

E seus estudos no instrumento? Com quem você estudou e como anda sua rotina de estudos hoje?
Como eu disse anteriormente, sou autodidata, comecei a estudar tarde apenas para dar aulas e por não querer mais tocar na noite depois de ter sido tocado em vários encontros e por sentir essa necessidade de viver a minha musicalidade totalmente voltada para os meios de evangelização, não que eu condene músicos que tocam na noite e na igreja, muito pelo contrário, musico é musico e se a igreja não tem como acolher como vão sobreviver? Mas tudo é uma questão de tempo, quando somos realmente chamados, ousamos e largamos tudo, no tempo certo tudo acontece.

Ainda sobre meus estudos, não tenho uma rotina certinha, mas estudo harmonia, “no piano” e depois transponho as idéias e aberturas para guitarra, na área do instrumental, gosto de tirar os temas e montá-los todos no meu home Studio, instrumento por instrumento, isso também exercita meu ouvido e minha percepção. Depois disso, decoro os temas e em cima dos meus estudos aplico meus improvisos, é assim.

Qual a importância desses estudos para você e para qualquer músico que queira tocar bem?
O Estudo é primordial para ser um bom musico, é preciso ter discernimento no que se ouve, mas é preciso escutar de tudo. Precisamos de influências, na área instrumental falando de guitarristas, eu curto muito Pat Metheny, Mike Stern, Pat Martino, Gurthie Govan, Scott Handerson. Você pode notar aí uma fusão de estilos, mas gosto de ouvir tudo. Tenho um acervo de musicas latinas, pois todos os anos vou a El Salvador, e tenho a oportunidade de estar com o Flavinho em vários países latino americanos e lá faço meu intercambio musical, ouço e gosto de tudo isso.

E seus equipamentos, o que você anda usando?
Bom eu atualmente por questões praticas uso uma Brian Moore que é equipada de dois Hambuckers e um single, mais um Piezzo na ponte, que me da aquele violão lindo que preciso (risos). Meus efeitos Tb por uma questão de praticidade,uso um Pod X3, e em breve estará chegando minha ultima aquisição. Uma TomAnderson ano Hollow Drop Top ano 2000. Aguardem...

Você é um entusiasta de instrumentos vintage e pedais analógicos?
Olha só, até gosto e ainda vou voltar ter meus pedaizinhos, tenho até alguns aqui, mas agora com a chegada de meu primeiro filho(a) tenho que priorizar outras coisas (risos) e ele(a) que vai curtir os vintages do pai.

Falando dos trabalhos antigos, poucos sabem, mas você produziu o primeiro trabalho solo de Walmir Alencar além de gravar diversos outros, assinou também muitos arranjos e produções. Como é a experiência de estúdio? Fale de suas seções de gravação e do seu tempo antes da Canção Nova.
Então, na verdade a Canção Nova chegou primeiro que tudo em minha vida, pois já naquela época eu já estava ligado à comunidade lá em Cuiabá onde eu morei. Quanto ao Walmir, eu o conheci em lá mesmo, e depois de conviver e o entrevistar, pois na época eu trabalhava na Difusora (uma radio que a Canção Nova). Fui surpreendido com o convite dele para essa direção. Foi um presente, uma luta, uma experiência muito gratificante. Nas Paulinas eu tive um contato com profissionais da área conheci o Malaquias tremendo homem de Deus e músico (arranjador da Ziza Fernandes) que me direcionou para um estudo mais aprofundado.

Como você pensa no arranjo e como desenvolve a musica para que seja a cara de quem a canta?
Eu prezo muito pelo carisma de quem trabalho, gosto de conhecer saber da vida da personalidade da caminhada e eu realmente me envolvo muito com as pessoas as quais estou trabalhando. O fato do trabalho ficar com a cara do artista é que eu me despojo e meus gostos pessoais e do que eu acho que seria o melhor para mim, e penso no que seria o melhor para o trabalho e para a proposta de quem está me confiando o seu ministério.

Como foi produzir os discos do Monsenhor Jonas, Nelsinho Corrêa e Flavinho?
Todos dão muito trabalho, a gente quer acertar, entrar na alma do cantor, às vezes acertamos, às vezes erramos, e Deus nos molda muito através disso. O Cd Só pra você foi um presente de Deus para mim, assim como o cd do diácono (Nelsinho Corrêa) e os trabalhos que faço para o Flavinho, inclusive fico feliz quando ele me apresenta como seu produtor porque sei o quanto ele confia em mim (referindo-se ao Flavinho), acho que o segredo para agente começar a acertar um trabalho é entender e conhecer o que o cantor ou cantora não gostam em termos de arranjos daí em diante é orar e experimentar o Espírito Santo em você e na sua musica.

O CD do Monsenhor Jonas teve duas etapas, ao vivo e estúdio. Ao fundo de algumas partes dá pra se ouvir captação de instrumentos, solos e outros detalhes que acabaram não indo pra versão final. Conta um pouco desse desafio que foi gravar um CD ao vivo em condições não tão boas?
Esse Cd não era para ser vendido, ele era um presente do Monsenhor para os filhos da comunidade, mas o resultado ficou melhor que o esperado na opinião do DAVI (departamento de áudio-visual da Canção Nova) e os caras resolveram comercializar. As condições nem foram tão boas assim, mas agente deu um jeitinho de melhorar, é o milagre da tecnologia. (risos)

Como foi o processo de entrada na Canção Nova e como foi o convite para fazer parte dos arranjadores do estúdio?
Em 2004 vim gravar um cd que estava produzindo para o Paulão e Lu da Comunidade Aliança de Misericórdia do Pe. Antonelo. Chegando aqui, eu ia para os acampamentos e lá o Dunga me viu e me convidou para estar no palco com eles sempre que eu pudesse, então como fiquei aqui e fui ficando, participava, ia tocando, mas eu tinha a minha vida lá em Cuiabá e não tinha a menor intenção de mudar de lá. Mas Deus é Deus! Em um desses encontros com o Pe. Degrandes, fui tocado e larguei tudo, me lembro que em prantos falava pra Deus, “Senhor, eu não sou mais um menino pra começar uma vida toda de novo”, nessa hora, tinha vários cadeirantes (portadores de deficiência física) e pessoas de muletas no palco e o padre orando por eles, então uma senhora que chegou mancando largou a muleta e saiu andando sem mancar e Deus me disse, “você ainda acha que está velho pra dar um passo até mim?”, aí eu desabei. No outro dia, vi o Dunga na chácara e ele veio até mim e falou. “Que regaço Deus fez ontem em?” E eu disse, to vindo embora Dunga, ele falou é mesmo? Ta vindo trabalhar na Codimuc? Eu respondi- eu num sei onde vou trabalhar, virei as costas e no mesmo dia fui procurar casa pra alugar, e de resto você já sabe, mais tarde vim embora e recebi a proposta pra trabalhar no estúdio onde o Flavinho era o diretor, no final do ano fui remanejado para o TI (Tecnologia e Informática) na CN.

Como é a sua vida na Canção Nova?
Sou um privilegiado, trabalho aqui na Canção Nova, estou feliz no setor onde me encontro, pois vejo frutos de meu ministério atingir a tanta gente. Você pode acompanhar pelos salmos dominicais que hoje é um dos conteúdos mais acessados da Canção Nova. E outros também como os jingles e trilhas que estão recheando a TV através de nossa Agência de publicidade. É muito bom fazer o que se gosta, e ainda melhor fazer pra Deus. Faço shows pelo Brasil e fora dele com o Flavinho, às vezes quando a agenda permite, faço show com outros cantores também. Tenho um projeto para o ano que vem de sair fazendo Workshops e testemunhar as graças de Deus em minha vida, partilhar o pouco que sei e deixar Deus curar através de meu ministério.

Como você vê a música católica hoje em relação aos músicos e a polêmica da profissionalização?
Esse assunto é complicado, não quero levantar polêmica aqui, mas também não sou nada político. A música católica vem melhorando sim, os músicos estão buscando informação, tal, mas acho que não podemos perder o foco. Tenho sempre guardada em meu coração, uma frase do Padre Zezinho, estávamos sentados em uma sala nas Paulinas e o assunto era um certo cantor da época que estava em ascensão e ele disse “Uma coisa é o marketing e outra coisa é o anúncio”, isso ficou em minha cabeça e nunca mais saiu.

Tem muita gente nova e boa por aí, o que você está vendo de bacana neste novo cenário?
Olha, eu gosto muito do Nando Mendes, tem conteúdo, reza, canta bem, sabe o que quer numa canção tem percepção, ministra muito bem e suas musicas são maravilhosas um disco que vale apena ouvir, quanto a músicos, cara eu gosto demais do Maércio, e de um outro guitarrista da Adriana que inclusive está no DVD tocando junto, não lembro o nome dele mas o cara tem uma digitação simplesmente perfeita muito bom.

Deixe um recado final para os nossos amigos do Sacra!!!
Galera continue prestigiando esse espaço, divulgue, evangelize, e ao ser perseguido louve porque é sinal de que você ta incomodando o “encardido” e ele quer minar os desígnios de Deus em sua vida. Fiquem com Deus e foi um grande prazer estar aqui com vocês.

Acesse também: E-mail Paulinho de Jesus

Contato para produções, shows, Freelancers, workshops, arrajos:
Site oficial Guilherme Montanari
E-mail Guilherme Montanari

 


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3 comentários

  • Rafael Megafone Rafael Megafone
    comentou em 02.12.2009 às 23:04:19

    Irmãos, louvado seja Deus por esta entrevista e pela vida do Paulinho!

    cara, eu estou vivendo uma situação difícil nos dias de hoje, mas uma coisa não sai de minha cabeça: Evangelização através da Música!

    Sou Min. de Música há 6 anos e faço parte do Ministério Getsêmani aqui no RJ que só tem 1 ano de vida e nunca foi tão difícil levar a música pra Deus como hoje em dia, mas quando penso que está tudo quase indo por água abaixo leio o seguinte trecho desta entrevista:"...Deus me disse, “você ainda acha que está velho pra dar um passo até mim?”

    Caramba, Deus está olhando pra nós o tempo todo e se faz mais do que necessário não perder o foco e perguntar: "Senhor o que queres que eu faça?"

    Há muito tempo não entrava aqui no Sacramusic e que bom que o filho sempre pode retornar né?!

    Muito obrigado por esta entrevista!
    E Paulinho, muito obrigado por não desistir e ter tido a coragem de fazer aquilo que o Senhor queria que vc fizesse!

    Um grande abraço
    Paz e Música!
    Rafael Megafone - Min. Getsêmani - RJ


  • Fabricio Panhan Costa Fabricio Panhan Costa
    comentou em 03.12.2009 às 09:32:51

    Que testemunho maravilhoso, Rafael Megafone! Esperamos que o Cristo te abençoe mais e mais!


  • paulinho de jesus paulinho de jesus
    comentou em 03.12.2009 às 09:38:05

    Rafael, meu irmao:

    Cada palavra sua me resgata ao meu inicio, ao depois, e ao presente de minha vida. Porque? porque a todo momento somos tentados a desistir e nao mais caminhar, mas o que no s faz continuar é simplesmente o amor de Deus em nós que ja esperimentamos uma graça, mesmo que pequenina.( se é que se pode medir o tamanho da graçå que ele nos da)...
    Muito do que foi dito por vc, ´para mim é uma resposta de Deus em meu ministerio, sinto o carinho de Deus comigo atraves de suas palavras e ainda mais, sinto uma exortaçao em tudo, para que eu possa ter mais zelo com o Dom que Ele me deu. Espero sinceramente que minha vida e o ministério que ele me confiou possa de alguma forma chegar ao seu coraçao e ao coraçao de quem escuta os acordes e os solos inspirados pelo Espirito Santo, porque muito mais que técnica (que é importante) precisamos cada vez mais de Unçao no que estamos fazendo.
    Obrigado, e que Deus te de forças para continuar.

    abraços

    paulinho de jesus



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