

Aconteceu no interior de São Paulo a 3ª Semana Brasileira de Catequese (SBC). Diversos temas foram debatidos neste fórum, muitos, inclusive com intensa propriedade, como as questões relacionadas a Mudança de Época, e a afirmação de profundas libertações neste contexto.
Todavia, um texto em especial trouxe a mim um questionamento.
CATEQUIZAÇÃO E INCULTURAÇÃO INDÍGINA
Em um dado momento, o tema se tornou a catequização dos índios e o processo de inculturação vigente!!!
A experiência nada interessante no que se refere à catequização indígena no Brasil nos revela que é necessário tomar um cuidado especial com a sublimação de outras culturas. Os índios, no decorrer da evolução histórica e geográfica foram perdendo seu espaço e viram sua cultura se enfraquecer e sua população se restringir aos 400 mil indivíduos que sub-dividos em várias etnias e em um território vasto na qual os mesmos precisam pedir favor para ocupar. De donos da terra os índios passaram a viver o imbróglio fatídico de se sentirem inquilinos.
OS ÍNDIOS E AS SEITAS PROTESTANTES
Hoje a realidade é outra, a CNBB passou a respeitar a cultura indígena e trabalhar para ascensão social dos mesmos, todavia, um novo processo catequético tem se tornado um martírio para os índios, a chegada das colônias de seitas protestantes ao território indígena, vindos da Europa, Estados Unidos e do próprio Brasil. Eu chamo isso de “Fábula mal contada de uma Cristificação que leva a prosperidade”. Porque fábula mal contada? Nos últimos 30 anos as ocupações destas colônias protestantes tentam impor sua fé e seus costumes não se preocupando com as tradições indígenas e todo o contexto que os cerca, afirmando que somente quando os índios seguirem o Protestantismo conseguirão sair da mazela que os inunda a séculos de desrespeito e submissão. De fato, atualmente nem a CNBB defende esta visão, a própria já promoveu uma Campanha da Fraternidade no ano de 2002 com o lema Fraternidade e Povos Indígenas propondo e exigindo da sociedade um maior respeito à causa. Entretanto, há sim uma séria preocupação com esta catequização da prosperidade. A busca, neste sentido, deve ser de defesa do ser humano e de suas culturas e não uma nova imposição religiosa...
A IGREJA DO BRASIL
Diversas frentes têm sido criadas dentro da Igreja do Brasil para que haja um respeito maior as diferenças. O Índio não pode ser visto como uma raça inferior, aliás, a sabedoria indígena muito tem a contribuir, principalmente com as questões relacionadas ao meio ambiente e ao bom trato a natureza, fundamental para a existência humana.
Um país desenvolvido é aquele que respeita as suas diferenças. E buscar o bem comum entre as diversidades foi o maior ensinamento que Cristo nos deixou. Levar alguém a prosperidade não significa impor a sua verdade.
Este é um tema que sem dúvida, gera algumas discussões abrasivas e complexas. Que Deus nos ilumine e nos guie para irmos sempre à busca do respeito!
Flávio Bueno é blogueiro do wmblog
Achei muito boa essa abordagem, a inculturação é isso ai.... evangelizar todos os povos!!!
Abraços
Polêmico isso... Todo cuidado é pouco ao se falar dessas seitas protestantes, uma vez que a "Catequese" católica durante o período de colonização é um fato histórico, e um dos primeiros responsáveis pelo "enfraquecimento" da cultura indígena, do qual o texto fala. Todo católico deve ter muito cuidado ao falar desse assunto. E mesmo assim, todo cuidado é pouco. Afinal, essa tal "catequese" dos índios é, de algum modo, muito prepotente, não?! Falo isso como catequista, mas tb como antropólogo... Defendamos as diferenças entre os povos, inclusive no que tange às crenças religiosas. Imagino que Jesus ficaria feliz!
Pois é grande Paulo... este é um tema polêmico.. me agrada muito a nova postura da CNBB, que representa a Igreja no Brasil, acerca da catequisação... acho q o respeito a cultura e a fé de cada povo deve ser preservada... Acho q o cuidado a falar sobre este assunto é necessário, mas o medo o receio não... precisamos tocar nas nossas feridas e procurar cicratizá-las... é por isso achei o tema interessante...
abvraços
É um assunto tenso sim, mas devemos lembrar e
reconhecer que houve sim um erro por parte de
alguns filhos de Deus no início da colonização
deste país, assim como houve na inquisição e
nas cruzadas.
Contudo, já imaginou se fôssemos julgar a
medicina pelo erro dos médicos? Assim é com a
nossa amada Igreja, nossa mãe, instituída pelo
Senhor há cerca de 2000 anos.
Paz de Cristo a todos, que Deus abençoe a todos
os índios de todo o Brasil!
Amém!